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| Amendoim |
É Nancy Betts, professora de Arte em SP.
Ela tem medo de se engasgar, acho que é isso.
Quando estudantes e morávamos juntas(éramos 5 estudantes), Nancy já tinha esse medo.
Eu gosto muito de amendoim.
Prefiro com as casca para ter o prazer de descascar e comer até aquela casca marrom que, se amarga, nunca percebi.
Descobri esse da foto e tenho comprado com frequência.
A gente começa a comer e não tem vontade de parar. Como Pipoca.
Como castanha.
Quando bem criança, na esquina de nossa casa de Vila, tinha um senhor alto, magro, preto e que eu chamava de meu compadre.
Ele vinha andando uns 2 bairros até chegar no nosso.
E vinha descalço. Acho que não existia chinelo havaiana.
Chegava no inicio da tarde. Um sol forte e ele se protegia num guarda-chuva(ou guarda-sol) desses comuns.
Trazia um caixote na cabeça e um banquinho, também na cabeça.
Ele me chamava de minha comadre. Para nós ele era "meu compadre".
Todos os dias, no final da tarde, eu colocava um banquinho, sentava do lado dele, na calçada e conversávamos.
Nem lembro o que tanto conversávamos.
Mas conversávamos. Muito.
Conheci os filhos dele, numa dessas ocasiões.
Bom, cresci, mudei de bairro, me formei em Medicina e um belo dia, vejo "meu compadre", na fila para tomar vacina.
Corri até ele, abracei e vi que ele me reconheceu.
Perguntei da família, perguntei do amendoim, perguntei da vida dele.
Ele ainda era vendedor de amendoim.
Mas já não caminhava tanto.
Até hoje, descascar amendoim me leva de volta ao "meu compadre".
Se eu soubesse que o tempo ia passar, nunca perderia meu compadre de vista. Nunca.
Liliane





















