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segunda-feira, maio 19, 2008

Medo


Todas as vezes que vou para o meu trabalho, às 5.30 da manhã, encontro essa jornaleira.
Já fiz amizade com ela.
Buzino e nos cumprimentamos. Ela tem um timbre de voz horrível, assustador. Mas eu não preciso ouvi-la com frequência.
Algumas vezes, levei um sanduiche ou um pacotinho de biscoito para ela.
Poderia levar esse lanche com mais frequência.
Mas, tenho medo, muito medo de parar o carro.
Ela tem sido um referencial de meu horário. Se ela está nesta esquina aguardando a Kombi que lhe entrega os jornais, sei que estou dentro do meu horário.
Hoje, não avistei-a.
Na esquina onde ela fica, vi um corpo estirado no chão vestido com uma blusa vermelha. Achei que era ela. Cochilando? Sentindo-se mal? Desmaiada? Agredida?
Tentei fazer o retorno para vê se era ela, se precisava de ajuda mas, o meu medo foi maior que a vontade de ajudar.
E eu tornei a fazer o retorno e segui em frente.
Recife é uma cidade muito violenta. Não adianta essa história de que tem violência em todo lugar. Isso não me conforta. Vou andar assustada em qualquer cidade desse brazil.
E só quero fazer comparações com coisas e lugares melhores.
De porcaria já estou saturada.
Sou amiga de um casal de médicos, residente em Cuiabá, que foram assaltados junto a outros colegas num restaurante onde estava sendo oferecido um jantar patrocinado por um Laboratório.
Levaram tudo dos convidados. Até a sandália nova e linda que minha amiga tinha nos pés.
Isso não é um inferno? Dá para aguentar?
Tenho um monte de coisas dentro do carro para enfrentar ladrão.
Spray de pimenta, um cacete poderoso e uma mistura, também, poderosa que vai cegar até a mãe do marginal.
E vou usa-los se as pernas e os braços tremerem menos que a vontade que tenho de esmaga-los ou cega-los.
Cheguei em casa agora.
Liguei para a loja que fica na esquina onde ela trabalha. Ninguém sabia de nada. Ou melhor, ninguém entendeu o que eu precisava saber. Acho até que ficaram com medo de mim, no telefone.
Agora, só resta torcer.
Liliane

3 comentários:

Andréa N. disse...

Caramba, que triste tudo isso.

Anilda disse...

Olá Liliane! Vc. ainda guarda o q/ nos foi levado no restaurante hem? Voltar p/ casa sem carro ( de carona) descalça, sem chave da casa q/ foi no chaveiro, é mto ruim.´Ainda bem que tinha gente em casa p/ nos abrir a porta.
Até pouco tempo atrás ainda fomos chamado ao f. criminal p/ reconhecer um dos caras envolvidos no assalto. Bjs.

Anilda disse...

Olá Liliane! Vc. ainda guarda o q/ nos foi levado no restaurante hem? Voltar p/ casa sem carro ( de carona) descalça, sem chave da casa q/ foi no chaveiro, é mto ruim.´Ainda bem que tinha gente em casa p/ nos abrir a porta.
Até pouco tempo atrás ainda fomos chamado ao f. criminal p/ reconhecer um dos caras envolvidos no assalto. Bjs.