Estou sonhando com o dia de largar a diretoria do Hospital. Já mandei ofício para o novo Secretário de Saúde, Jorge, meu colega de turma, pedindo exoneração. Dever cumprido e comprido. Acabou-se. To fora.
Quero mais é voltar a ter tempo de curtir meu belo e querido apartamento. Quero voltar a ter tempo para olhar sem pressa a praia, da janela do meu quarto e das janelas todas do meu apartamento.
Voltar a ter tempo para ler, para estudar, para internetar, cozinhar, bater pernas no Shopping. E viajar. Gastar o dinheiro que ganho com meu trabalho e que nem tenho tido tempo de usar.
Sonho em voltar a New York e ficar, também, na porta do hotel vendo a vida passar. E conhecer a Holanda.
Nem sou de sonhos. Mas esse é um sonho que se renova a cada dia dentro de mim. Fazer o que, não é? Só gosto de coisa boa e bonita.
No Hospital continuo trabalhando a mil por hora. Com se fosse o 1º dia.
A escala de sobre-aviso, de plantões extras para o carnaval, estão prontas, organizadas.
Tudo planejado para dar certo e para que não falte "nadica de nada". Não pode faltar. Nunca nada pode dar errado. A gente trabalha com vidas. Ou com sobrevidas.
Observo que nos finais de semana, aumenta assustadoramente a quantidade de internações de pacientes crônicos. As familias não querem se responsabilizar pelo seu parente. E nem importa se é pai ou mãe. O negócio é se livrar do problema. Também nos finais de mêses eles querem se livrar de parentes para receber a pensão. As vezes até entendo esse cruel problema. As vezes.
Acabei de ler "Marley e eu" de John Grogan. Lindo e leve. Uma história de amor. E agora estou lendo "O gato que veio para Natal" de Cleveland Amory. Outra história de amor.
Liliane
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