Minha mãe, fez aniversário dia 10 de abril.
Mas hoje, sábado 15, é que vamos comemorar com um belo e gostoso almoço para os filhos genros e noras, netos, bisnetos e alguns amigos.
Minha mãe teve 9 filhos. Um atrás do outro.
Criou todos numa época que serviçais era raridade em famílias de poucas posses e muitos filhos.
Aprendi com ela um monte de coisas.
Algumas coisas que a gente só valoriza depois que cresce e vira mãe, também.
Minha mãe era "pisca" com limpeza. Não admitia casa suja, terraço sujo, roupas fora do lugar.
Eu era encarregada de varrer a casa de manhã e depois do almoço.
Eu odiava varrer casa.
Ela me obrigava a varrer embaixo de móveis e eu não entendia o porque.
Na minha cabeça, alguém que chegasse na nossa casa não iria olhar embaixo de móveis.
Ela dizia que era ela que iria olhar. E olhava. E cobrava.
Ela não queria que, se alguém chegasse de repente, a casa estivesse desorganizada.
Mas cozinhar, não aprendi com ela.
Minha mãe foi a pior mãe-cozinheira do "meu mundo".
A mãe de todo mundo tinha algum prato que os filhos não esqueciam.
A minha mãe, não deixou, em mim, qualquer boa lembrança culinária
Não posso falar pelo mundo de minhas 3 irmãs caçulas.
As lembranças delas, de mamãe na cozinha, são diferentes das minhas.
Minha irmã caçulíssima, Aninha, fala de uma carne mal passada, receita da mamãe, que ela não consegue esquecer.
Mas as minhas lembranças de carnes feita pela mamãe, são horríveis.
Eu comia porque não tinha jeito.
Éramos filhos demais e espaço e dinheiro de menos.

Lembro das cobranças constante de que devíamos estudar.
Lembro da alegria imensa dela e de meu pai, quando me formei em Medicina.
Lembro da alegria deles(pai e mãe), quando terminei os 3 anos de Residência Médica.

Eu acho que não consigo demonstrar para ela o quanto ela foi importante na minha formação como pessoa e na minha postura profissional.
As vezes nem lembro que sou médica.
Mas a minha mãe não esquece que sou médica.

Eu gosto de fotografar minha mãe sem grandes preparativos.
Porque é essa lembrança que eu quero ter dela.
Ia esquecendo de dizer que meus pais foram leitores vorazes.

Alegre, sorrindo sempre, é assim a minha mãe.
Hoje, nos vamos rir muito.
Viva, minha mãe!
Liliane